Menos de 4% das pequenos empresas tiveram acesso ao Pronampe

Pronampe

No início de setembro, o governo federal anunciou a segunda fase do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) com mais R$12 bilhões em recursos para o socorro de micro e pequenos empreendedores.

Somando empréstimos de instituições financeiras, o valor de crédito para micro e pequenas empresas deve passar de R$ 14,1 bilhões. Entretanto, uma pequena parcela do público alvo do programa foi beneficiada com a iniciativa.

A análise de dados oficiais do Sebrae revela que foram poucos os negócios contemplados pelo programa. Mesmo o Pronampe sendo o programa emergencial de crédito para pequenas empresas mais eficiente até o momento, estima-se que ele alcançou apenas 3,75% do seu público alvo. Por conta disso, MEIs endividados precisaram buscar outras alternativas para quitarem suas dívidas.

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Conforme dados atualizados no começo do mês pelo Sebrae, baseados em informações do Fundo de Garantia de Operações (FGO), foram realizadas 292 mil operações de crédito com a garantia do fundo no Pronampe. Com isso, foram R$ 22,5 bilhões em valor de crédito concedido desde que o programa entrou em vigor.

Ao todo, pouco mais de 281 mil pequenos empreendimentos foram beneficiados. Mas como o total de micro e pequenos negócios no Brasil é estipulado em aproximadamente 7,5 milhões de empresas, o Pronampe beneficiou até o momento menos de 4 a cada 100 empreendedores do seu público alvo.

Maiores operadoras do Pronampe 

O Banco do Brasil é a  instituição financeira que mais realizou empréstimos por meio do Pronampe, com 36,1% do valor total. Depois vem a Caixa com 23,9%, o Itaú Unibanco com 12,2% e o Bancoob com 11,9%.

Mas cabe destacar que na segunda fase do programa o Ministério da Economia fez uma distribuição diferenciada de R$ 1,5 bilhão do aporte total. Entre as instituições financeiras credenciadas, este valor foi disponibilizado principalmente para bancos regionais e agências de fomento.

De acordo com as últimas pesquisas sobre o impacto da pandemia feitas pelo Sebrae em parceria com a FGV, essas instituições foram responsáveis pelas maiores taxas de aprovação de crédito para pequenas empresas. Além disso, o grupo de destaque na realização de empréstimos para o segmento também inclui as cooperativas de crédito.

Entre as instituições financeiras regionais que mais operaram pelo Pronampe, a que mais se destaca é o Banrisul. O Banco do Estado do Rio Grande do Sul destinou R$ 730 milhões em crédito pelo programa. No norte do país destacam-se o Banco da Amazônia com R$ 282 milhões e o Banco do Nordeste com R$ 268 milhões.

Outras instituições regionais destacadas são a Agência de Fomento de Goiás, com mais de R$ 21 milhões em crédito, e Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) com R$ 203 milhões.

Impacto dos pequenos negócios na economia

De acordo com o Sebrae, os micro e pequenos negócios representam 99% das empresas brasileiras e 30% do nosso PIB. Além disso, mais de 50% dos empregos com carteira assinada no setor privado são gerados por estes empreendimentos.

Mas apesar dos pequenos negócios serem tão importantes para a economia, o acesso a crédito continua sendo um grande problema para o segmento. É o que conclui Giovanni Beviláqua, analista da Unidade de Capitalização e Serviços Financeiros do Sebrae.

Os dados disponíveis apontam para a necessidade de ampliação da quantidade e qualidade de instituições ofertantes de crédito para os pequenos negócios, sobretudo no que se refere às instituições não-bancárias que, durante a pandemia, se mostraram favoráveis aos pequenos negócios ao apresentarem taxas de aprovação de crédito superiores aos grandes bancos comerciais”, apontou Beviláqua.

A importância do segmento para a economia economia brasileira também pode ser medida pelo saldo de empresas criadas. Das 1.114 milhão de empresas que abriram no segundo semestre, por exemplo, 80% são Microempreendedores Individuais.

De acordo com a plataforma “Emprestômetro”, o governo federal já superou a marca de R$ 65 bilhões em empréstimos concedidos especialmente aos pequenos empreendimentos. Segundo o governo, foram fechados 506 mil contratos por meio das diferentes linhas de crédito disponibilizadas aos micro e pequenos empresários do país.

A maior parte dos recursos foi operacionalizada a partir de linhas de crédito oferecidas pelo BNDES para capital de giro e com garantias do Fundo Garantidor de Investimentos. Ao todos, estes recursos somam R$ 36 bilhões.

Felipe MatozoJornalista, ex-repórter do Jornal e Canal "O Repórter" e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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