Brasil fecha o segundo quadrimestre com saldo positivo de novas empresas

Conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia nesta quinta-feira (17), o Brasil teve um saldo positivo de 782.664 novas empresas abertas entre os meses de maio e agosto.

Ao todo, 1.114 milhão novas empresas abriram no país no segundo quadrimestre do ano. Em comparação com o período entre janeiro e abril, o índice representou um crescimento de 13%, quando o saldo foi de 686.849 empresas abertas.

Enquanto isso, foram 331.569 empreendimentos fechados no segundo quadrimestre, número 6,6% menor do que o registrado na primeira parte do ano.

Novas empresas

Com estes números, o país fechou agosto com 19.289 milhões empresas ativas, 4,5% a mais do que em abril. Mas segundo o Ministério da Economia, mais da metade deste contingente é composto por Microempreendedores Individuais (MEIs) – 55,4%.

Este é um modelo que permite que autônomos e negócios com apenas um funcionário se formalizem de forma prática, e seu registro pode ser feito todo pela internet.

Além disso, as microempresas são responsáveis pela maioria dos novos negócios abertos no segundo quadrimestre. Foram mais de 880 mil registros de microempresas, o que representa 79,8% do total de empresas abertas no período. Comparado com o número registrado no segundo quadrimestre de 2019, houve um aumento de 5,4%.

Por outro lado, o setor que mais registrou fechamentos de empresas no período foi o comércio varejista de mercadorias em geral, sobretudo na categoria de produtos alimentícios.

Em seguida, a lista indigesta traz o segmento de lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares, e ainda empreendimentos do comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios.

Crescimento por setor

Na divisão por atividades, o comércio varejista de vestuário e acessórios foi o setor com maior número de empresas criadas no entre maio e agosto. Ao todo, foram 68.711 novos empreendimentos iniciados neste segmento, o que representou um aumento de 32,% em comparação com o primeiro quadrimestre.

As atividades de promoção de vendas com 51.153 novas empresas, e de fornecimento de alimentos com 43.370 também se destacaram. Estes setores registraram um avanço de 68% comparado ao mesmo período de 2019.

Enquanto isso, uma importante atividade da categoria de microempresas registrou queda no período. O setor de cabeleireiros, manicure e pedicure diminuiu consideravelmente o número de novos negócios criados – foram 36.536 no total, o que representa queda de 35% em relação ao primeiro quadrimestre e de 33% se comparado com o segundo quadrimestre de 2019.

De acordo com o Portal do Empreendedor, este é o setor com o maior número de MEIs ativos, algo em torno de 809.003.

Sobre o considerável aumento no número de MEIs no primeiro semestre do ano, um dos principais indicadores apontados como causa é o aumento do desemprego no país.

De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação cresceu no segundo trimestre de 2020, deixando aproximadamente 12,7 milhões de brasileiros desempregados. Em comparação com o primeiro trimestre do ano, foram 368 mil pessoas a mais que perderam seus empregos.

Segundo especialistas, o aumento do desemprego estimula os casos de empreendedorismo por necessidade.

Por definição, este é o termo utilizado para se referir aos momentos em que a crise do mercado de trabalho leva as pessoas a se formalizarem como microempreendedoras individuais para evitar o desemprego.

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Micro e pequenas empresas são fundamentais para o Brasil

Conforme dados do Sebrae e da Fundação Getúlio Vargas, os pequenos negócios são responsáveis por quase um terço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Somadas, as micro e pequenas empresas brasileiras – aproximadamente 14 milhões – representam 30% do PIB, número que vem crescendo nos últimos anos.

Na divisão por segmentos da economia, estes empreendimentos são os que mais geram riqueza no Comércio, respondendo por 53% do PIB do setor. No setor de Construção Civil, mais da metade do PIB têm origem nos micro e pequenos negócios, 55% no total.

Outra questão que demonstra a importância das micro e pequenas empresas é a geração de empregos formais. Estes empreendimentos são responsáveis por mais da metade dos empregos no Brasil, sobretudo nos setores de Comércio e de Serviços.

À época da pesquisa, as micro e pequenas empresas representavam 66% dos empregos no Comércio, 48% nos Serviços e 43% na Indústria.

Felipe MatozoJornalista, ex-repórter do Jornal e Canal "O Repórter" e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.
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