Startups de comida vegana recebem investimentos milionários

Um dos mercados com maior tendência de crescimento no Brasil começa a atrair investidores para acelerar sua expansão. Nos últimas dias, as startups de comida vegana NotCo e Fazenda Futuro receberam, juntas, mais de US$100 milhões em investimentos.

Na semana passada, A foodtech brasileira Fazenda Futuro anunciou ter arrecadado R$115 milhões em investimentos externos. Com esse aporte, a  empresa que produz carneis vegetais atingiu R$715 milhões em valor de mercado.

Outra marca do setor que se destaca no mercado brasileiro, a chilena NotCo anunciou nessa quarta-feira (09) o aporte de US$ 85 milhões por parte de fundos internacionais. A empresa vende no Brasil desde 2019 e produz alimentos como hambúrgueres à base de vegetais que imitam carne e maionese sem ovos.

Startups de comida vegana

Os investimentos milionários em ambas as startups demostram o quanto esse é um mercado promissor. Conforme pesquisa realizada pela Meticulous Research, o mercado global de alimentos veganos cresce 11,9% ao ano e deve valer mais de R$390 bilhões até 2027.

Enquanto o aporte à Fazenda Futuro teve como principal investidor o banco BTG Pactual, os investimentos à NotCo foram liderados por fundos internacionais. Os cheques milionários reforçam uma onda importante para as startups vegetais, que cresceram durante a pandemia.

Os fatores atribuídos para esse crescimento incluem mudanças de comportamento ocorridas no período. Um dos exemplos é o hábito de cozinhar em casa, que foi estimulado pelo confinamento. Além disso, o interesse por alimentos saudáveis ou novas dietas também são apontados como possíveis causas do crescimento das startups de comida vegana durante a pandemia.

A NotCo pretende aproveitar os recursos do investimento e expandir sua atuação no mercado brasileiro. Para que isso seja possível, a empresa chilena aposta em três frentes: expansão nacional, contratações e aumento no portfólio de produtos.

Mercados veganos e vegetarianos são boas opções para empreender

O setor alimentício é um dos que mais movimenta dinheiro no Brasil. E com tantas opções para o consumidor, investir em nichos específicos pode ser uma boa maneira de se destacar no mercado e lucrar com seu empreendimento.

Nos últimos anos, o número de vegetarianos cresceu exponencialmente no Brasil. Segundo dados do Ibope, já são quase 30 milhões de vegetarianos no país, o que faz crescer a demanda em restaurantes e supermercados. Além disso, há estimativas de que esse mercado cresça num ritmo médio de 40% ao ano.

Mas essa crescente procura por restaurantes e empresas que produzam comida vegana e vegetariana muitas vezes se depara com falta de opções. Empresas como McDonald’s, Burger King, Nestlé, JBS e Danone têm investido no setor, mas muitos consumidores não têm acesso ou condições de pagar por esses produtos que costumam ser demasiadamente mais caros do que os alimentos comuns.

Por isso, empreendimentos independentes tendem a se tornar cada vez mais comuns, principalmente em cidades maiores. Nesse caso, sai na frente quem se prepara para chegar antes no mercado, como o caso da Fazenda Futuro, que é uma das pioneiras do setor no Brasil e já soma R$715 milhões em valor de mercado.

Alternativas para começar a vender

A pandemia tem acentuado uma crise financeira no Brasil que leva ao fechamento de diversos estabelecimentos diariamente. No “novo normal”, muitas empresas precisam se adaptar.

Para isso, muitas pessoas vem buscando no mundo digital alternativas para empreender, e os alimentos estão entre os produtos que mais vendem na internet. Mesmo que a fase não seja nada boa para restaurantes, iniciar um empreendimento online de comida vegana e vegetariana pode funcionar em um momento em que este nicho está em constante crescimento.

Deliverys de comida, por exemplo, estão na lista de negócios digitais em alta em 2020. Pode ser que estudando a situação destes nichos na sua cidade você encontre uma oportunidade para investir na área. Vale a pena descobrir se as opções disponíveis são suficientes para cobrir a demanda na região, ou pensar em uma proposta diferenciada que pode ser bem vinda para o públicos vegano e vegetariano.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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