Afrohub e Facebook lançam plataforma para estimular afroempreendedorismo

O Afrohub é um programa com conteúdos voltados para a digitalização e desenvolvimento do afroempreendedorismo que já qualificou mais de 4 mil profissionais no Brasil.

O objetivo da iniciativa criada em 2018 é fomentar negócios criados por empreendedores negros. Esta é a terceira edição do evento, e está sendo lançada pelo Facebook em parceria com organizações do ecossistema de afroempreendedorismo brasileiro.

Para esta edição, foi criada uma plataforma educacional especialmente para a iniciativa. É a partir dela que as capacitações devem acontecer de forma online e gratuita, com conteúdo distribuído em diferentes formatos e também nas redes sociais.

Afrohub e Facebook

 

Entre os temas abordadas pelo programa, estão questões como gestão, finanças, vendas e comunicação. O conteúdo será desenvolvido durante um período de oito meses de formação, e a expectativa é que aproximadamente 100 mil empreendedores sejam capacitados com esta nova fase do Afrohub.

A presidente do Instituto Feira Preta, Adriana Barbosa, ressaltou que a pandemia tem demonstrado o quanto os microempreendedores precisam estar inseridos no ambiente digital. Segundo ela, o programa propõe conteúdos que acelerem esse processo para incentivar a democratização da população negra neste contexto.

A criação da plataforma seguiu as principais demandas observadas entre os empreendedores que participaram das edições anteriores do programa. Dessa forma, a proposta é abordar as melhores formas de aproveitar as ferramentas de marketing digital e como melhorar o relacionamento com os clientes nas redes.

Como funciona o Afrohub

O acesso ao material do Afrohub é gratuito e disponível para empreendedores de todo o Brasil por meio do site do programa e de suas redes sociais.

O conteúdo será apresentado a partir de vídeos tutoriais e aulas no formato masterclass, e também compartilhado via Instagram e Facebook. Com isso, a iniciativa visa aumentar o alcance do programa e dialogar com diferentes perfis de empreendedores.

Nos tutoriais, será possível acompanhar dicas sobre processos e práticas importantes para a organização dos empreendimentos dentro desses temas. A plataforma contará ainda com a participação de especialistas convidados e uma seção focada na rotina diária do empreendedor, destacando a atuação de afroempreendedores da rede Afrohub, que compartilharão histórias de aprendizados durante a evolução de seus negócios”, contou Antonio Pita, sócio fundador do Diaspora.Black.

Além disso, a plataforma ainda terá um espaço para notícias e podcasts sobre o afroempreendedorismo e o mundo dos negócios. Estes conteúdos funcionam como uma formação complementar para os empreendedores participantes do programa.

O projeto também terá uma vertente voltada à produção de dados sobre a transformação digital da população negra. Para isso, o Afrohub contará com um  banco de materiais acadêmicos sobre a economia e o mercado de consumo da população afro-brasileira.

Para Adriana Barbosa, a expectativa é que o Afrohub passe a ser conhecido com uma iniciativa que contribui para a transformação digital do empreendedorismo negro no país.

Público-alvo do programa

Por conta da pandemia, cresceu o número dos chamados empreendedores por necessidade. Este fenômeno se dá quando há uma crise no mercado de trabalho que “empurra” as pessoas para o empreendedorismo, já que essa é a alternativa encontrada para fugir do desemprego.

Nesse ano, alguns indícios desse fenômeno foram observados em levantamentos realizados por diferentes institutos. Dados do Ministério da Economia, por exemplo, apontam que o índice de novas empresas no país entre janeiro e abril foi 13% maior do que o registrado no mesmo período de 2019. E destas novas empresas, mais da metade sao Microempreendedores Individuais (MEIs).

Outro aumento de empreendedores registrado durante a pandemia foi no setor de vendas porta a porta, que cresceu com a ajuda da internet no primeiro semestre. O número de novos revendedores teve alta de 21% em julho quando comparado ao mesmo mês do ano passado.

Mas mesmo com o aumento do empreendedorismo por necessidade, os organizadores da Afrohub miram em outros públicos. Um deles é referente aos mais jovens à procura de oportunidades por empreendimentos em diferentes áreas. Estes representam o chamado empreendedorismo por vocação, uma geração de pessoas que buscam carreiras autônomas e foras das grandes empresas.

Para a executiva do Instituto Feira Preta, este perfil de empreendedores por engajamento é que mais se aproxima das instituições organizadoras do Afrohub. É um perfil composto principalmente por mulheres e jovens, que empreende criando soluções que atendem às especificidades de consumo da população negra.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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