Mulheres empreendedoras inovaram mais na pandemia segundo pesquisa

Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas, homens e mulheres tiveram comportamentos diferentes ao gerir seus negócios na pandemia. Essas diferenças tiveram alto impacto na forma como esses empreendimentos lidaram com as inovações necessárias para o período, e as mulheres empreendedoras acabaram se sobressaindo nesse fator.

A pesquisa indicou que seis a cada dez empreendedores precisou aplicar mudanças na oferta de seus produtos e serviços para continuar funcionando. No entanto, entre os homens, a aderência pelo uso de redes sociais e aplicativos para vendas na internet é de apenas 63%, quase dez pontos a menos do que a taxa de mulheres que fazem uso dessas ferramentas (71%).

Isso pode representar que mais mulheres empreendedoras conseguiram se manter no mercado, afinal muitos clientes optaram por adquirir mercadorias exclusivamente pela internet durante o período de isolamento.

Mulheres empreendedoras

Para a gestora do Programa Sebrae Delas, Dianalu De Almeida Caldato, essas disparidades entre os sexos pode ter explicação por conta do nível de instrução de cada gênero.

As mulheres, em média, têm grau de escolarização maior dos que os homens, o que significa que estão mais preparadas para buscar alternativas. A pesquisa apontou que 63% delas possuem ensino superior contra 55% dos homens. Elas também são mais jovens e têm perfis ligados às dinâmicas de transformação digital e estão mais conectadas”, segundo a gestora.

Outro dado interessante coletado pelo levantamento do Sebrae é em relação ao endividamento dos gêneros. A pesquisa levantou que as mulheres buscam se endividar menos que os homens, inclusive optando por não fazer uso de empréstimos, como os oferecidos pelo Banco da Mulher Paranaense nessa semana, para manter seus negócios em atividade.

Enquanto 54% dos homens empreendedores optou por recorrer aos empréstimos de bancos, 55% das empreendedoras optaram por não pedir esse tipo de crédito.

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Negócios geridos por mulheres devem crescer 25% até o final do ano

Mantendo a tendência de relevância das mulheres empreendedoras, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) divulgada nessa terça-feira (29) apontou que, até o final de 2020, os empreendimentos comandados por mulheres deve crescer 25%.

Empreendimentos que podem ser geridos pela internet tem sido as opções escolhidas de várias empreendedoras pelo Brasil. O uso das redes sociais e suas ferramentas exigem baixo investimento e possibilita que essas mulheres tenham grande alcance de clientes.

Muitas também começaram a investir nos negócios de revenda de cosméticos, lingeries e roupas que mantém suas demandas em alta, independente de qual seja a crise financeira.

Os programas como os lançados recentemente pelo O Boticário também têm sido de grande auxílio para que os recentes negócios femininos decolem durante a crise. Essas iniciativas oferecem uma sequência de cursos online para que essas negociantes se qualifiquem ainda mais e saibam gerir seus negócios da melhor forma.

Um dos motivos atrelados a essa necessidade de empreender do público feminino é a questão do desemprego que atinge as mulheres de maneira mais forte. Infelizmente, os estereótipos em relação a obrigações arcaicas ainda rondam a mente dos contratantes. Isso faz com que muitos acabem não contratando mulheres com filhos pequenos, por exemplo, por medo do desempenho no trabalho ser afetado.

Essa realidade misógina, agravada durante a crise de coronavírus, obrigou mais mulheres a buscar alternativas para garantir renda para suas casas e famílias.

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Aline Resende
Formada em Marketing e pós graduanda do curso de Língua Portuguesa e Literatura do Centro Educacional Uninter. Trabalha na área de comunicação como Social Media e Criadora de Conteúdo além de fazer trabalhos de atuação e locução para material publicitário.

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