E-commerce cresce em 6 meses o mesmo que em 6 anos em São Paulo

Estudo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) mostra que o crescimento do e-commerce no estado neste primeiro semestre foi equivalente aos dos últimos seis anos.

De janeiro a junho de 2020, a participação do comércio online no acumulado do varejo em São Paulo aumentou de 2,9% para 3,7%. O crescimento de 0,8% é o mesmo registrado entre os anos de 2013 e 2019.

Por conta da pandemia, o setor de e-commerce tem demonstrado crescimento em todo as regiões do país. Segundo levantamento da Synapcom,  de janeiro até o meio de setembro as vendas pela internet aumentaram em 80% em relação ao mesmo período do ano passado.

e-commerce
Segundo a Fecomércio, o crescimento na capital paulista foi ainda mais acelerado. Para o varejo da cidade, o setor de e-commerce representou 5% do faturamento total nos primeiros seis meses do ano, 1,4% a mais do que o valor registrado no fim de 2019. Entre 2013 e 2019, o avanço foi de 1,1%.

Nesse ritmo, a estimativa para a capital paulista é de que as vendas online representem de 6% a 7% do total do varejo ao final do ano. É o que afirma a assessora econômica da Fecomércio-SP, Kelly Carvalho. Para ela, comerciantes que ainda não vendem pela internet estão com os dias contados.

Caso a projeção da economista se confirme, São Paulo deve se aproximar do desempenho de Nova York (EUA), onde o e-commerce representa em torno de 10% do varejo local. Em relação ao crescimento no estado, Kelly acredita que as vendas online respondam por aproximadamente 5% do total.

Também se destacaram a região do ABC paulista, passando de 3,2% de participação do e-commerce no varejo para 4,4% no período; e o litoral, onde o setor fechou o semestre com uma fatia de 3,8%.

E-commerce veio para ficar

O consenso no mercado é de que a tendência potencializada pelo isolamento social de alta das compras pela internet se mantenha. Especialistas acreditam que é possível que o retorno à normalidade aconteça apenas quando uma vacina contra a covid-19 estiver disponível.

A migração de vendas físicas para o comércio digital no estado durante a pandemia também pode ser observada no valor do gasto médio. Nos primeiros seis meses do ano, o tíquete médio do e-commerce em São Paulo aumentou 17,5%. Este valor é quase o dobro do registrado pelo varejo tradicional no semestre, onde o crescimento foi de 9,4%.

Para o sucesso do e-commerce durante o período, o segmento precisou contar com diferentes ferramentas para vendas. Além dos aplicativos, os chamados “marketplaces” contribuíram para o bom desempenho, permitindo que pequenos empreendimentos vendessem online mesmo sem uma plataforma própria.

Uma iniciativa de marketplace que ganhou destaque nesse período foi a Magazine Você, plataforma do Magazine Luíza para pequenos negócios. O ambiente online da empresa permite que comerciantes anunciem seus produtos, e ainda conta com uma parceria com o Sebrae para capacitação de pequenos empreendedores.

E as vendas online também tem ajudado outros setores da economia a alcançarem bons resultados apesar da pandemia. Com a migração para os meios digitais, o setor de vendas diretas, por exemplo, cresceu quase 40% no último mês de julho.

Preocupações do e-commerce

Uma das principais preocupações do setor de varejo em relação às vendas online é sobre as tentativas do governo de tributar o comércio digital. As investidas atribuem às plataformas de marketplace a obrigação de fiscalizar o pagamento de imposto por parte das lojas online, e ainda fazer o recolhimento caso a loja não o faça.

É o que já acontece em relação ao ICMS na Bahia e no Rio de Janeiro, segundo a assessora econômica da Fecomércio-SP. Kelly afirma que a intenção do governo federal é adotar o mesmo mecanismo destes estados, conforme a proposta de reforma tributária.

Outra ressalva apontada foi em relação ao receio dos consumidores sobre as questões de emprego e renda no futuro próximo. Por conta disso, a tendência é de que haja uma estabilização do valor gasto nos próximos meses.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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