Troc recebe investimento da Reserva para ampliar revenda de roupas

A startup de revenda de roupas Troc recebeu recentemente um investimento da Reserva, conhecida grife carioca. A startup atua no segmento de moda circular desde 2016 e é considerada um dos maiores brechós online do Brasil.

A proposta de trabalho da empresa curitibana é fazer a conexão entre compradores e vendedores de roupas e acessórios usados. Apesar do valor do investimento da Reserva não ter sido revelado, sabe-se que a participação da empresa na Troc será minoritária.

Com a parceria, a grife carioca conta agora com a plataforma Reserva Circular, que tem a proposta de aumentar a vida útil de peças de vestuário por meio de um serviço de logística reversa. Segundo a empresa, quando a Troc transforma roupas sem uso em peças novas para alguém, se forma um ciclo de produto verdadeiramente sustentável.

Troc

Um diferencial da Troc em relação a outras empresas do setor é que a empresa tem um papel ativo na gestão das vendas. Afinal, a companhia é responsável por ir até a casa dos vendedores para buscar as peças, tirar fotos e publicar os anúncios, por exemplo.

Mas com isso, a Troc também fica com uma comissão considerável das vendas realizadas. Em transações de peças até R$ 250, a empresa tem direito a 60% de comissão, enquanto em produtos mais caros o valor é menor.

Além de Curitiba, a Troc obtém produtos apenas de São Paulo e Belo Horizonte, por enquanto. As compras, no entanto, podem ser realizadas por clientes de todo o país, segundo a fundadora Luanna Domakoski. Luanna comenta que a loja pretende quebrar o estigma do termo “brechó”, estimulando a chamada moda circular.

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De acordo com a Troc, em quatro anos de atuação já foram mais de 245 mil peças processadas pela startup. Além disso, o acervo atual da empresa é de aproximadamente 40 mil itens, com marcas posicionadas em moda feminina e infantil. E no último dia 30, a startup também anunciou sua estreia no segmento masculino com exclusividade para a Reserva.

A fundadora explica que as peças variam de R$ 20 a R$ 10 mil, com marcas que vão desde de Zara e H&M até Valentino e Chanel. Cada pedido realizado na Troc tem em média de 2 a 3 itens e valor em torno de R$ 280.

Segundo Rony Meisler, proprietário da Reserva, a Troc chamou a atenção de sua empresa pelo propósito e o trabalho de curadoria da marca.

Em moda, a maneira como você tira a foto ou descreve o item faz uma diferença absurda no resultado. A forma como a Troc faz isso é um baita diferencial”, destacou o empresário.

Investimento na Troc não é o primeiro da Reserva

Apesar de Rony Meisler ressaltar que a sua marca não tem a intenção de se transformar em um fundo ou empresa de investimentos, a Reserva já havia investido no setor de startups em 2020.

Em fevereiro, a empresa anunciou a compra da Touts, startup de personalização de roupas. Com isso, a marca lançou a plataforma Reserva Ink, que dá ao cliente a opção de customizar estampas de roupas e vender estas peças online. O serviço se destaca por permitir que qualquer empreendedor inicie sua própria loja de camisetas online.

Com a parceria entre as duas empresas, a Troc expande seus serviços. Além de atender consumidores, a startup iniciou recentemente um trabalho voltado a empresas de moda que permite que estas marcas também entrem no mercado de revenda de roupas.

A plataforma de “resale as a service” (revenda como serviço) oferece às grifes a possibilidade de captar peças usadas com seus clientes em troca de direito a descontos ou vales para adquirir itens novos. Neste esquema, a Troc fica responsável pela venda das peças.

A Reserva Mini foi a primeira marca a testar o serviço. E a linha de produtos infantis da empresa de Rony Meisler vendeu 60% dos produtos disponíveis na plataforma na semana da estreia. Com o início bem sucedido, a fundadora da Troc afirma que a empresa está negociando novos contratos e deve anunciar as parcerias nas próximas semanas.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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