Para a maioria dos lojistas, Semana do Brasil não aumentou as vendas

De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), a Semana do Brasil não gerou aumento de vendas para 60% das lojas de shoppings brasileiros.

Apesar de uma série de promoções que incluíam até mesmo ofertas de redes para novos franqueados, a chamada “Black Friday brasileira” não fez diferença para a maior parte dos lojistas entrevistados. Nesse ano, a Semana do Brasil aconteceu de 3 a 13 de setembro.

Segundo a Alshop, uma das justificativas para o fenômeno é a restrição de horário para diversos shoppings do país. Embora todos os 577 estejam abertos, a associação afirma que a limitação diminui a circulação de pessoas.

Semana do Brasil

De acordo com a pesquisa, os itens mais buscados por parte dos consumidores no período foram os calçados, com 40% da procura. Na sequência aparecem os vestuários e os cosméticos, que estavam com até 70% de desconto, ambos com 20%. Os eletrônicos, destaques no aumento das vendas por e-commerce no ano, sequer foram citados.

Para Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, o fato dos locais de entretenimento estarem fechados influencia o baixo interesse do público por shoppings. Porém, não se pode reduzir a justificativa para o consumo reduzido a esta questão.

Vale ressaltar que existem pessoas que se deslocam até os shoppings para terem um momento de lazer e entretenimento, já que outros serviços estão fechados, mas acabam não comprando nada nas lojas”, lembrou Sahyoun.

A pesquisa foi realizada entre 15 e 18 de setembro e teve participação de varejistas pequenos, médios e grandes que representam aproximadamente 1.400 pontos comerciais espalhados pelo Brasil.

A Alshop também compara os resultados com outros índices, como o da Cielo. Segundo este, enquanto as vendas online cresceram aproximadamente 10% quando comparadas ao mesmo período de 2019, as vendas em lojas físicas caíram 8,3%.

Em agosto, vendas fecharam em alta

Se o evento criado pelo governo em 2019 para celebrar a semana da pátria registrou queda nesse ano, e não teve sucesso no objetivo de movimentar comércio varejista em setembro, o mês anterior teve alta nas vendas.

O boletim de Notas Fiscais Eletrônicas divulgado nesta terça-feira (22) pela Receita Federal apresentou alta de 13,4% nas vendas em agosto. Foi o maior patamar atingido pelo indicador no ano, índice 4,4% maior do que o registrado em julho.

A média diária de vendas registrada no mês passado foi de R$ 26,8 bilhões, e a indústria foi o setor com o maior percentual apresentado. O volume médio de vendas por dia registrado pelo setor foi de R$ 14,2 bilhões. Esta média representa um crescimento de 5,4% quando comparado a julho e de 9,8% em relação agosto de 2019.

Enquanto isso, o comércio movimentou uma média de R$ 10 bilhões, aumento de 1,7% em comparação a julho. No setor atacadista, a média diária chegou a R$ 7 bilhões no último mês, 1,5% a mais que julho.

Sobre o comércio eletrônico, a Receita destacou que o segmento também teve seu melhor resultado do ano em agosto. Nas vendas por e-commerce, a média de movimentação diária foi de R$ 680 bilhões, 48,6% a mais do que o índice registrado em agosto do ano passado e 2,3% superior ao de julho.

Segundo o Fisco, agosto apresentou recuperação progressiva nas vendas. Os valores semanais mantiveram-se sempre maiores que R$ 175 bilhões e atingiram um pico de R$ 210 bilhões na última semana do mês. A Receita afirma que o movimento capta especialmente vendas entre empreendimentos de médio e grande porte, e compras digitais realizadas por pessoas físicas.

Índices de agosto por região

De acordo com os dados apresentados pela Receita Federal, agosto fechou com aumento de vendas em todas as regiões do Brasil.

A região que mais se destacou no período e liderou o volume de vendas foi a Sudeste. Nos estados da região, houve crescimento de 11% em comparação à média diária do mesmo período de 2019, e de 5,6% à de julho. Na região Sul, o aumento foi de 13,3% e 3,1%, respectivamente.

O Norte apresentou o maior crescimento em comparação aos próprios índices registrados em agosto do ano passado, uma alta de 24,7%. Quando comparado com julho, o crescimento foi de 5,1%. Enquanto isso, as altas no Nordeste foram, respectivamente, de 10,8% e 5,2%, e no Centro-Oeste de 20,2% e 0,8%.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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