Programa libera R$38 milhões para mulheres empreendedoras no Paraná

Na semana em que completou um ano de seu lançamento, o programa Banco da Mulher Paranaense anunciou a liberação de R$ 38 milhões para empreendedoras. A iniciativa acontecerá por meio de linhas de crédito da Fomento Paraná, instituição financeira do governo estadual.

O Banco da Mulher Paranaense foi lançado no dia 24 de setembro 2019, e neste primeiro ano de funcionamento atendeu aproximadamente 3 mil pequenos negócios com participação feminina.

Dos recursos disponibilizados, quase 90% faziam parte da linha de microcrédito, com limites de até R$ 10 mil para pessoas física e R$ 20 mil para pessoa jurídica, com faturamento bruto anual de até R$ 360 mil. Os valores restantes foram captados por micro e pequenas empresas de variados setores da atividade econômica.

Empreendedoras

A iniciativa é parte do plano de governo para para criar mecanismos que possam fortalecer o empreendedorismo feminino no Paraná. Segundo o diretor-presidente da instituição, Heraldo Alves das Neves, a Fomento Paraná é quem deve desenvolver linhas de crédito com condições diferenciadas para atender às empreendedoras paranaenses, responsáveis por milhares de empregos diretos e indiretos.

A primeira-dama do Estado, Luciana Saito Massa, é presidente do Conselho de Ação Solidária e uma das madrinhas do programa. Para ela, políticas públicas como o Banco da Mulher Paranaense são fundamentais em um período em que as mulheres assumem protagonismo, mas ainda enfrentam diversos obstáculos.

Diversos estudos mostram o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, nos negócios e como chefe de família, mas verifica-se que ainda há barreiras muito grandes a serem superadas, como o acesso ao crédito”, ressaltou Luciana.

Além da primeira-dama, também são madrinhas do programa as empresárias Monica Berlitz, criadora da comunidade Clube da Alice, Luciana Burko, e Cris Mocellin.

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Desigualdade de salários estimulou a iniciativa

Durante a fase de preparação das linhas de crédito do programa, a Fomento Paraná avaliou estudos que reafirmavam a desigualdade salarial entre gêneros no Brasil. No ano passado, por exemplo, esta desproporção aumentou no país após passar sete anos em queda.

Em 2019, a diferença entre salários de homens e mulheres aumentou 9,2% em relação a 2018. Além disso, entre as dez carreiras de ensino superior que mais geram empregos, as mulheres recebem, em média, salários menores em sete delas.

A Fomento Paraná também destacou que boa parte das mulheres precisa diversificar suas fontes de renda. E em muitos casos, essa necessidade se dá pelo fato delas serem as únicas ou principais provedoras do lar. Este é apontado como um dos principais fatores para observarmos cada vez mais mulheres empreendedoras na sociedade.

Mas nem sempre esses empreendimentos são formalizados, o que dificulta o acesso ao crédito para impulsionar os negócios. Uma das maneiras mais simples de conseguir esta formalização é abrindo um MEI (Microempreendedor Individual), o que pode ser feito em poucos passos (veja tutorial aqui). Segundo dados do Sebrae, o cadastro de novos MEIs neste ano é maior do que em 2019.

Primeira empreendedora beneficiada colhe os frutos do investimento

A manicure Luciana Lemes participou do lançamento do Banco da Mulher Paranaense e foi a primeira empreendedora a obter um financiamento pelo programa.

Com o dinheiro do crédito, Luciana comprou materiais, criou um espaço físico para trabalhar com a filha, e profissionalizou sua prestação de serviço. Hoje, apesar das dificuldades causadas pela pandemia, Luciana consegue manter seu salão em atividade. Além disso, ela ainda pôde abrir as portas para duas profissionais que atendiam em salões vizinhos que tiveram suas atividades encerradas.

Consegui concretizar meu objetivo, que era que o negócio não fosse apenas para mim e minha filha, mas que pudesse trazer outras profissionais para trabalhar e ganhar seu sustento também”, contou a empreendedora.

Luciana também aproveitou a possibilidade de suspensão de pagamentos e renegociação de prazos que foi dada a partir do início da pandemia. Segundo ela, a renegociação foi providencial no período em que o salão não pôde abrir.

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Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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