Pandemia fecha permanentemente 50 mil empresas do setor de turismo

Segundo um levantamento realizado pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens e Turismo) e divulgado na última segunda-feira (05), durante os seis meses de pandemia 16,7% das empresas relacionadas ao turismo em funcionamento antes da crise, fecharam as portas permanentemente. Essa porcentagem representa 49,9 mil negócios e  os prejuízos calculados ultrapassam os R$200 bilhões.

Os serviços turísticos acabaram sendo os mais prejudicados por causa da pandemia e a necessidade de isolamento social que ela causou. Durante meses, estabelecimentos de hospedagem, lazer e companhias de transportes ficaram impedidos de manter seus serviços. Muitos por estipulação de estados e países que fecharam suas fronteiras e comércios para impedir a transmissão do vírus.

Apesar das grandes empresas também terem sido agressivamente afetadas, o pior cenário se mostrou nas micro e pequenas. Segundo o CNC, os estados que mais perderam estabelecimentos do segmento de micro e pequeno porte foram São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, coincidentemente estados que sofreram mais tempo com o alto nível de transmissões e mortes.

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Mesmo os estabelecimentos que conseguiram sobreviver a crise não passaram ilesos por ela. Os dados mostraram que o número de serviços de alimentação, hospedagem e transportes que lidaram com saldos negativos também beira os 50 mil.

Apesar de as expectativas serem de melhora para os próximos meses, segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, ainda não há previsão de volta aos patamares pré-pandemia para o segmento turístico brasileiro.

A aversão de consumidores e empresas à demanda, somada ao rígido protocolo que envolve a prestação de serviços dessa natureza, tende a retardar a retomada do setor”, afirmou o presidente.

José Roberto também acredita que a não essencialidade dos serviços turísticos é outra barreira que impedirá que o setor retome suas atividades de maneira significativa nos próximos meses.

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Fechamento de estabelecimento e serviços agrava a situação do desemprego no país

Outro dado preocupante levantado pela CNC foi em relação ao aumento das demissões de trabalhadores do setor turístico. Com tantos estabelecimentos fechados, foram poucos os negócios que conseguiram manter seus empregados.

Segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), desde o início da pandemia foram fechados mais de 480 mil postos de trabalho. Entre os segmentos que mais demitiram estão os hotéis e pousadas, seguidos pelas agências de viagens. Juntos, essas vertentes atingiram mais de 98 mil demissões no período.

Entre março e julho de 2020, a força de trabalho formal do turismo encolheu 12,8%, maior queda quando comparada aos demais setores da economia”, afirmou o levantamento da CNC.

A perda de emprego está diretamente ligada a brusca queda do faturamento dessas empresas. Isso porque, até julho já somava 56% a menos de ganhos em relação aos primeiros dois meses do ano.

Expectativa de hoteleiros e aéreas é que com as restrições internacionais o turismo nacional aumente

Ainda que o faturamento turístico não consiga se recuperar esse ano, muitas empresas de passagens aéreas e profissionais do setor hoteleiro estão apostando no aumento de pessoas que escolham locais nacionais para viajar.

Por conta do surto de covid-19 sem boas políticas de contenção do vírus, vários países têm restringido a entrada de brasileiros. Essas restrições podem fazer com que muitos turistas acabem optando por destinos nacionais nas próximas viagens que fizerem.

Outro fator que pode acabar beneficiando as localidades nacionais é o preço do dólar. Com a desvalorização constante do real, optar por viagens para fora do país acaba não sendo financeiramente viável para a maioria das pessoas.

Ao apostar nisso, muitos hotéis e pousadas já começaram a modificar e oferecer novos serviços que permitam atividades mais reclusas aos seus clientes. Entre essas atividades estão a adoção de gastronomia diversificada, adoção de processos com menor contato humano e benefícios exclusivos para os hóspedes.

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Aline Resende
Formada em Marketing e pós graduanda do curso de Língua Portuguesa e Literatura do Centro Educacional Uninter. Trabalha na área de comunicação como Social Media e Criadora de Conteúdo além de fazer trabalhos de atuação e locução para material publicitário.

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