E-commerce impulsiona setor de cosméticos na pandemia

De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), o primeiro semestre do ano fechou com 105,6 bilhões de vendas online. A alta do e-commerce por conta das medidas de isolamento social foi puxada principalmente pelos segmentos de beleza e perfumaria.

Segundo a ABComm, os índices de crescimento do setor de cosméticos foram uns dos maiores no período. O segmento registrou aumento de 107,4%, o que representou um faturamento de R$ 2,11 bilhões.

Além do crescimento no e-commerce, o setor de beleza e perfumaria também vem se destacando pelas inovações realizadas e os investimentos em nichos específicos. A Natura, por exemplo, foi eleita a empresa mais inovadora do Brasil em 2020, e outras iniciativas dentro do segmento apresentam novidades e apostas em tendências para fazer a categoria crescer ainda mais.

E-commerce

Uma destas iniciativas é a JustForYou, startup que cria produtos personalizados por meio de inteligência artificial. A empresa produz xampus e condicionadores com fórmulas customizadas conforme as necessidades de cada cliente e tem registrado alta nas vendas desde março. Somente no primeiro semestre de 2020 a startup faturou nove vezes mais que 2019 inteiro, e o crescimento tem sido de 35% ao mês.

Em entrevista para o site “Pequenas Empresa & Grande Negócios”, o fundador e CEO da JustForYou, Caio de Santi, ressalta que a empresa tem a vantagem por ser nativa do ambiente digital. As vendas da startup começaram em julho de 2019, e desde então já foram analisadas mais de 300 mil fórmulas.

Por conta do salto na demanda da empresa, também foi preciso adaptar as estruturas para otimizar o trabalho. A JustForYou teve que se mudar para um galpão oito vezes maior, e se no começo eram somente três funcionários, hoje são 32 colaboradores e estimativa de chegar a 120 até dezembro.

Inovações em outras frentes

As apostas para inovar no setor de comércio vão além entre as novas iniciativas no e-commerce. A startup de beauty-tech B4A, por exemplo, decidiu investir em clube de assinaturas para se diferenciar no mercado.

A empresa adquiriu as marcas Glambox e Men’s Market, que mensalmente oferecem ao consumidor uma variedade de produtos conforme o seu perfil. Com a conexão entre as marcas, os clientes também contam com outros benefício além da experiência personalizada. Entre eles está o acesso à uma plataforma com mais de dois mil produtos com descontos e frete grátis.

O CEO da B4A, Jan Riehle, afirma que o serviço da plataforma se apoiou nos fatores “diversão” e “conveniência” para se destacar durante o período de confinamento. A partir disto, a startup oferece uma experiência de e-commerce iniciada a partir de uma assinatura.

O resultado da iniciativa foi o crescimento nas vendas da empresa durante a pandemia. Se antes do período a startup crescia em média 5% ao mês, nos últimos meses este valor tem sido de de 10%. Além disso, a Glambox e a Men’s Market quase dobraram o número de assinantes: de 25 mil no final de março, em setembro já são 45 mil em setembro.

E segundo Riehle, como o serviço da B4A oferece produtos de terceiros, o crescimento da startup também beneficia outras empresas. Isso porque o aumento de clientes na plataforma trouxe maior exposição e demanda para as marcas parceiras.

Crescimento do e-commerce em outros setores

De volta ao levantamento da ABComm, o aumento nas vendas por e-commerce no país foi de 56,8% entre janeiro e agosto deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. O crescimento fez a projeção para o ano saltar de 18% para 30%.

Segundo a ABComm, mais de 135 mil lojas começaram a vender pela internet desde o início da pandemia para se manterem no mercado. Nesse quesito, os setores que mais crescem são os de Moda, Alimentos e Serviços.

Para André Dias, diretor executivo do Compre&Confie, os resultados apresentados são reflexos da mudança de comportamento dos consumidores nas compras online. Dias acredita que o consumo por meio de e-commerce deve se manter mesmo com o fim da pandemia.

Sobre essa questão, Mauricio Salvador, o presidente da ABComm, ressalta que as empresas que permaneceram restritas ao ambiente físico estão em ampla desvantagem e correm sérios riscos de sobrevivência. Para ele, é fundamental estar presente no ambiente digital, o que pode ser feito de forma rápida e sem grandes investimentos.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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