E-commerce e delivery fazem crescer o consumo de embalagens no Brasil

O ano de 2020 tem sido bastante atípico em diversas questões, consequência da pandemia de Covid-19 que impactou o cotidiano da maioria das pessoas. Algumas das principais mudanças observadas foram nos hábitos de compras dos brasileiros, o que fez aumentar o consumo de embalagens no país.

O efeito é causado pelos aumentos das compras por plataformas e-commerce e de pedidos via delivery durante o período. Com mais pessoas em casa por conta das medidas de restrição, a demanda por embalagens cresceu em 2020.

Naturalmente, o aumento de demanda foi percebido em outros setores da cadeia de produção, como na fabricação de chapas de papelão ondulado, por exemplo.

consumo de embalagens

Segundo dados da Associação Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), o setor de papelão até registrou uma queda 3,2% no segundo trimestre de 2020 quando comparado ao mesmo período do ano passado. Mas a baixa foi observada após um aumento de 7,5% ocorrida nos primeiros três meses do ano.

Além disso, o terceiro trimestre voltou a registrar alta para o setor, dessa vez ainda maior. Entre junho e setembro, as vendas de chapas de papelão ondulado cresceram 15,4% em comparação ao mesmo período de 2019.

Com a alta nas vendas, os fabricantes foram pressionados em relação às suas capacidades de produção. Se antes os prazos de entrega ficavam entre 7 e 30 dias, hoje eles se prolongam por mais de um mês, segundo a ABPO.

Outro problema identificado durante o período de pandemia foi a redução da coleta seletiva em várias cidades brasileiras. Por conta disso, a associação destaca que os preços dos materiais também foram afetados, ficando mais caros.

Efeito também foi notado no descarte de resíduos

Consequências das mudanças nos hábitos de consumo também foram observadas na questão da geração de resíduos. Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), houve queda na produção de lixo no país nos dois primeiros meses de quarentena: 6% em abril e 9% em maio.

Em junho, no entanto, houve aumento na produção de resíduos em geral (2%), e principalmente no descarte de materiais recicláveis (30%). De acordo com Carlos Silva Filho, presidente da Abrelpe, esse padrão vem se mantendo desde então, com alta de aproximadamente 30% na quantidade de material reciclável descartado.

Para a Abrelpe, o salto no uso de materiais como papelão e plástico no período de pandemia está relacionado ao fato de a utilização de embalagens ser maior no e-commerce do que em compras realizadas em lojas físicas.

E o presidente da associação ainda destaca que a alta no consumo de embalagens pode seguir nos próximo meses.

O que nós estamos observando é que esse novo padrão de consumo, que é baseado no comércio online e em entrega de alimentos pré-prontos tem permanecido. Então, acreditamos que isso pode assim ser uma constante”, afirmou Silva Filho à Agência Brasil.

Reciclagem ainda não dá conta do aumento no consumo de embalagens

Como muitas unidades de triagem foram fechadas por conta da pandemia, a reciclagem não conseguiu absorver o aumento no volume de materiais descartados registrado a partir de junho.

Mas o presidente da Abrelpe afirma que o cenário começou a mudar agora, por conta da retomada. Além disso, ele destaca que tem sido aproveitada parte da capacidade das centrais de reciclagem que não era utilizada no período anterior à pandemia.

Silva Filho afirma que, até então, o que se tinha de informação era de que o setor de reciclagem operava de forma ociosa.

Apesar de o setor começar a dar conta do nível de materiais descartados, é possível que ele necessite de mais investimentos no futuro próximo. Isso porque o crescente aumento do volume de descarte de materiais recicláveis deve exigir capacidade maior de operação das centrais de reciclagem.

“Perdurando essa situação de que haja um maior volume de recicláveis nos resíduos sólidos urbano nós precisamos de maiores investimentos no parque de reciclagem e de descentralizar esse parque, que ainda está muito concentrado nas regiões Sul e Sudeste”, ressaltou o presidente da Abrelpe.

Felipe Matozo
Estudante de Jornalismo no Centro Universitário Internacional Uninter e ator profissional licenciado pelo SATED/PR. Ligado em questões políticas e sociais, busca na arte e na comunicação maneiras de lidar com o incômodo mundo fora da caverna.

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